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Da Frigideira ao Laboratório


O Brasil é um País abençoado em matéria de água, pois detém 13,8% da água doce disponível no planeta e 56,9% de toda água superficial presente na América do Sul. Portanto, a nossa situação, nesse quadro, poderia ser até bastante tranquila, contudo é preciso lembrar que a distribuição geográfica da água é muito desigual, visto que 72% dela se encontram na Amazônia e 6% no Sudoeste, além do mais, especialistas afirmam que todas as nossas bacias hidrográficas, desde a Bahia até o Sul do nosso País, estão em situação crítica por causa da poluição e do desperdício desenfreado.
É preciso levar em consideração que a falta de água é um problema mundial, pois, atualmente, contam-se mais de um bilhão e cem milhões de pessoas não têm acesso à água potável, desses, somente na África estão 340 milhões. Somam-se a isso os dois bilhões e quinhentos milhões que não dispõem de redes de coleta de esgoto. A persistir esse panorama daqui a 20 anos nada menos que cinco bilhões de seres humanos sofrerão a falta de água.
Por causa da falta de água atualmente morrem, todo ano, três milhões de pessoas, mas além desse gravíssimo problema é preciso lembrar que sem água não se tem produção de alimentos porque a agricultura consome 70% da água disponível; basta dizer que estudos indicam que para a produção de um quilo de carne é preciso até 20 mil litros de água, para a produção de um quilo de trigo, é preciso até mil litros e para um quilo de soja, cerca de mil e oitocentos litros de água.
Mas não são apenas os seres humanos e a agricultura que demandam cada vez mais água, também a indústria consome 21% da água e visto que há a necessidade de se produzir mais energia limpa para reduzir as fontes poluidoras e o aquecimento global derivados da queima do petróleo, do carvão e do gás, existe a obrigatoriedade de se construir mais barragens para se represar a água para movimentar as hidrelétricas o que ocasionará cada vez mais a interrupção do fluxo dos rios, influindo consequentemente nas nascentes. A título de curiosidade  esclarecemos que atualmente existem 45 mil barragens no mundo (considerando apenas aquelas com mais de 15 metros de altura)
É preciso ainda levar em consideração que a população mundial cresce na média de 80 milhões de pessoas a cada ano o que são necessários um acréscimo de 64 bilhões de metros cúbicos anuais no consumo global de água, conforme o relatório elaborado pela  Water in a Changing World.
A falta de água já é sentida fortemente em alguns países, por isso, com a globalização, importar ou exportar alimento significa levar água de um País para outro, mesmo se indiretamente mediante a chamada “Água virtual”. País como a Arábia Saudita, prefere importar Água virtual em vez de dessalinizar a água ou irrigar o deserto para produzir alimentos. Coisas como essas indicam que como o petróleo a água atingiu um nível político e econômico considerável e se consideramos que para a água não há substitutos, essa importância vai além do petróleo que pode ser substituído por etanol, etc.
O problema da falta de água no mundo é muito grande, basta olhar para os Estados Unidos que já desenvolveram todo o seu potencial hidrelétrico e hoje enfrentam um grande problema que vem agravado pela mudança do clima. O Estado da Califórnia, por exemplo, depende muito da água do degelo das suas montanhas nevadas e, se a temperatura global aumentar, como de fato está aumentando, haverá muita falta de água neste Estado.
Basta essa rápida consideração sobre o problema da falta de água no mundo para nos conscientizarmos que é preciso usar a água com critério, disciplinando o seu uso, reciclando e fazendo o reuso dela e buscando alternativas, de maneira que deve se tornar, daqui para frente, uma rotina a preocupação em poupá-la e em  não poluí-la.
Em vista disso o Colégio São José, sempre atento e empenhando na formação de cidadãos conscientes para a sociedade, lança o projeto “Da Frigideira ao Laboratório”. Trata-se de mais um passo de otimização na formação de seus alunos. Em parceria com os alunos e orientados pelo Professor de química, Márcio, os alunos irão trabalhar, laboratorialmente, dentro do colégio, a produção de biodiesel, sabão, detergentes, etc.
Sabemos que o óleo de frituras é um veneno em nosso organismo e no meio ambiente uma fonte poluidora, mas quando  bem usado é um santo remédio para o nosso planeta. Estudos indicam que um litro de óleo de fritura jogado no esgoto polui um milhão de litros de água, o equivalente ao que uma pessoa consome em 14 anos de sua vida. O óleo que descartamos das frituras, quando jogado na pia da cozinha, produz consequências nefastas, pois além de entupir os encanamentos, alimenta milhões de baratas que, muitas vezes, invadem nossas casas pelos ralos, atrai animais perigosos como escorpiões, provoca mau cheiro, contamina o lençol freáticos, etc.
Com o nosso projeto “Da Frigideira ao Laboratório” vamos colaborar com a natureza, vamos ajudar na economia da água para o nosso planeta e vamos aprender a prática de cidadãos que constroem um mundo melhor. Cada litro de óleo de fritura que for recolhido em uma garrafa pet e trazido para o Colégio pelos alunos vai ser transformado em biodiesel substituindo o diesel que polui, vai eliminar a emissão de enxofre (responsável pela chuva ácida e pelas doenças respiratórias) que o diesel produz, vai eliminar as partículas poluidoras que provocam doenças respiratórias pela queima do diesel e vai ajudar na eliminação do dióxido de carbono que produz o gás de efeito estufa na queima do diesel.
Vamos encarar mais essa oportunidade de ajudar o nosso planeta, vamos plantar essa semente de cidadania para ajudar as futuras gerações terem um mundo habitável, vamos preservar o que é de todos, vamos cuidar e valorizar o grande presente de Deus, o ser humano, a vida, a água...

                        Apucarana, Abril 2009

            Pe. José Antonio Bertolin – Diretor Geral



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